quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Declamação

Liliana Cardoso e Romeu Weber, dois grandes declamadores. Foto: LRS

De uma forma poética poderíamos dizer que a declamação é a transpiração da poesia. É um ato onde a pessoa que declama externa os sentimentos retidos nos transcritos, levando os ouvintes a vivenciarem o que o poeta quis dizer em seus versos.

Segundo algumas orientações do Movimento Tradicionalista Gaúcho, o declamador deve ter uma postura cênica sóbria e sem exageros, inclusive na indumentária. No palco, segundo o poeta Colmar Duarte, o declamador deve portar-se “como quem nada teme, porém a ninguém afronta”.

Os gestos devem ser os mais naturais possíveis, como quem conta uma história. A mímica é um recurso auxiliar, não podendo se sobrepor a interpretação vocal.

O tom de voz deve ser o tom natural do declamador, pois ao impostar a voz de forma inadequada pode ocorrer como quem canta fora do tom, ou seja, desafinar ou não alcançar determinada inflexão.

A dramaticidade é diretamente proporcional ao texto, mas sem “encarnar” o personagem como o ator de teatro. O declamador é apenas o portador da mensagem que o autor traz para os ouvintes. A mensagem deve ser transmitida com a maior sinceridade e convicção possíveis, para que as emoções sejam sentidas por quem assiste. Para isso, não é preciso levar para o palco adagas, borrachões, bandeiras, etc...

A diferença entre interpretação teatral e declamação é, portanto, esta: o ator finge ser um personagem, vestindo-se, pensando e agindo como tal. O declamador “conta” a história fazendo o possível para convencer as pessoas de que acredita no que está dizendo.

Portanto, não é aconselhável chorar, gritar, exagerar nos gestos ou adereços que não façam parte da indumentária. Segundo José Severo Marques, em declamação todo excesso é pecado.

Os julgadores de declamação observam muito os seguintes quesitos: a) Fundamentos da voz (dicção, impostação e inflexão). b) Expressão (facial e gestual). c) Fidelidade ao texto d) Transmissão da mensagem poética.

A declamação é uma arte quase que obrigatória nos diversos eventos artísticos do Rio Grande. Em nenhum outro Estado nota-se tamanha dedicação pela declamação. Existem milhares, isto mesmo, milhares de declamadores espalhados aos sete ventos desta velha província de São Pedro. É de prache, nos Centros de Tradições Gaúchas, nos galpões de fazendas, as pessoas receberem seus convidados com belos retrechos de poemas. As prendinhas, os piazitos, desde cedo, vão se embrenhando nestes meandros e, cada qual com seu estilo, retratam histórias, aventuras, ficções, bravuras do povo riograndense, arrancando as mais entusiásticas admirações por serem transmissores do pensamento poético. Em suma, o declamador é a garganta do vate.

Dentre os grandes declamadores do Rio Grande poderíamos citar alguns como Darcy Fagundes, Dorval Dias, Liliana Cardoso, José Machado Leal, Egizelda Charão, Adão Bueno, Rodrigo Canani Medeiros, Maria Elena da Costa Porto, Cristiano Silveira, Ruty Telles, Odilon Ramos, Emerson Xavier Pereira, Fabrício Marques, Suelen Amaral, João Lori de Abreu, Wilson Araújo, Tônia Mariza, Alvandir Oliveira, Francisco Azambuja, Milene Amaral, Joel Capeletti, Sebastião Fonseca, Cesar Nunes, Valdemar Camargo, Duane Rodrigues, Patrocínio Vaz Ávila, Romeu Weber, Márcia Graciola, Lenoar Farias, Jacy Farias, Severo, Juarez Machado de Farias, Pedro Darci de Oliveira, Jurema Chaves, Esther Christina, Etevaldo Moreira, Samuel Jobim, Zanildo Barbosa do Nascimento, Marco Antônio Dutra, Cid Mariano, Ítalo Dorneles, Rosana Pereira, Leandro Araújo, Luiz Afonso Torres, Maria Alice, Guilherme Piantá, Fernando Araújo, Paulo Ricardo dos Santos, Pedro Júnior da Fontoura, Xiru Antunes, José Henrique Azambuja, Delci Oliveira, Adriana Braun, Luciano Salermo, Guilherme Colares, Paulo Araújo, Lorensoni Barbosa, Marco Aurélio Campos, o Boca (considerado por muitos como o maior declamador de todos os tempos no Rio Grande do Sul) além de muitos outros, os quais estamos preparando uma nova lista.

Matéria do blog do Léo Ribeiro.

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