segunda-feira, 27 de julho de 2015

Promoção Especial - reformulação do blog


Lembrando o nosso grande Nico Fagundes, "gaúchos e gaúchas de todas as Querências", chegou a promoção que eu havia divulgado a cerca de um mês atrás.

PROMOÇÃO ESPECIAL !!

Celebrando a mudança que o blog passará nos próximos dias, mudando a sua plataforma de "blogspot.com" para ".com.br" (inclusive já estamos com o domínio comprado - passará a ser WWW.PROSAGALPONEIRA.COM.BR (em breve). Coisaaaa linnnnda !!

Pois bueno, para comemorar esse avanço da página, firmamos uma parceria pra lá de especial com a amiga Sônia Cardozo e com o Sindicato Rural de Arroio Grande-RS, que nos ofereceram uma coletânea com as 5 edições do EXPOCANTO - Festival da Música Gaúcha de Arroio Grande-RS. Isso mesmo, os CDs/DVDs das CINCO edições do EXPOCANTO de Arroio Grande. Será apenas UM ganhador, que levará esse "kit".

A priori, o sorteio se realizará no sábado, vespera de dia dos pais, 08 de agosto. Que belo presente para o seu pai heim?! E já ressalto, que nos dias seguintes, será lançada a Promoção de Agosto da parceria ProsaGalponeira e Minuano Discos.

A forma de participação é simples e igual as outras promoções: basta CURTIR a "fan page" do #ProsaGalponeira no facebook e COMPARTILHAR o banner (desta publicação). Podem compartilhar quantas vezes quiserem. Quanto mais compartilhar, mais chances de ganhar.


Aguardo a participação de todos, e boa sorte !

sábado, 25 de julho de 2015

Luiz Marenco em São Borja e Ijuí neste final de semana


Érlon Péricles no Bahan Bakar


Grupo Pátria e Querência no Paiol espaço nativo


Resgatando Datas: 25 de Julho Dia do Colono e Motorista


Boa parte dos alimentos que vai para a mesa dos brasileiros tem origem no trabalho de agricultores familiares.

Os colonos são responsáveis por colocar na nossa mesa 7 entre cada 10 alimentos que consumimos todos os dias.

A agricultura familiar também tem espaço de destaque na preservação ambiental.

Esse tipo de agricultura presta serviços ambientais relevantes, como a manutenção das reservas legais e das áreas de proteção permanente e a preservação de nascentes e recursos hídricos, serviços estes que agora começam inclusive a ser remunerados, face às ameaças do aquecimento global e seus impactos climáticos.

Porém para que diariamente esses alimentos possam chegar a nossa mesa o colono conta com a disposição e o árduo trabalho dos motoristas que cruzam o Brasil de Norte a Sul , levando na sua carroceria muito mais do que mercadorias, levam ali a riqueza do trabalho da nossa gente.


Por isso, o blog Prosa Galponeira deseja um Feliz Dia do Colono e Motorista à todos! Deixamos os vídeos dessas duas músicas do saudoso Teixeirinha, em homenagem aos nossos Colonos e Motoristas.


Fonte: Vídeos do Youtube e Texto do blog da UNAIC - Canguçu-RS

Pintura de Locatelli expõe exclusão do negro na construção do mito do gaúcho

O painel “A Formação Histórico-Etnográfica do Povo Riograndense” não apresenta o negro como um elemento constitutivo dessa formação.
(Foto: Guilherme Santos/Sul21)


Marco Weissheimer

No dia 8 de agosto de 1951, o Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Sul publicou, por intermédio da Secretaria dos Negócios das Obras Públicas, um edital de concorrência pública para um serviço de pintura interna de três salas da ala esquerda, no pavimento superior do Palácio Piratini. O artista Aldo Locatelli foi o escolhido para executar o trabalho que consistia em murais de grande porte sobre temas ligados à história do Rio Grande do Sul, como a formação etno-historiográfica do povo riograndense e a “mais bela das lendas gaúchas”, como descreveu Arthur Ferreira Filho, em “Palácio Piratini” (Porto Alegre: IEL, 1980). As obras resultantes desse edital carregam escolhas e uma ausência que problematizam a proclamada “identidade do povo gaúcho”, construída ao longo das últimas décadas.

As escolhas: o painel “A Formação Histórico-Etnográfica do Povo Riograndense”, que se encontra no Salão Alberto Pasqualini, do Palácio Piratini, traz como elementos dessa formação os índios, as Entradas e Bandeiras, as Missões, as fazendas de agricultura e pecuária, o gaúcho e o progresso, representado pela energia elétrica e uma represa. A ausência: o negro não aparece como elemento constitutivo da “formação histórica-etnográfica do povo rio-grandense”. A representação do negro aparecerá em outro painel, aquele que retratará “a mais bela das lendas gaúchas”: o Negrinho do Pastoreio. Ou seja, aparece como a representação de uma lenda e não como um elemento constitutivo da “formação da identidade gaúcha”.
 
 
A representação do negro aparecerá em outro painel, que retratará o que se chamou na época de “a mais bela das lendas gaúchas”: o Negrinho do Pastoreio.
(Foto: Guilherme Santos/Sul21)

A percepção de uma ausência

Ao participar de uma visita guiada ao Palácio Piratini, no último dia 18 de julho, o cartunista Carlos Latuff percebeu essa ausência na pintura de Locatelli, que passa despercebida pela maioria dos olhares. Ao refletir sobre essa ausência, Latuff observou que o painel “A formação histórico-etnográfica do povo rio-grandense” é uma imagem que define o estado gaúcho. “Ali são citados os colonizadores portugueses, os indígenas, os bandeirantes, os imigrantes. No entanto, os negros são omitidos. Não surgem nem mesmo como escravos, num estado onde, nos idos do século XVIII, a produção de charque dependia basicamente de mão-de-obra escrava. Em 1780 os negros escravos eram 28% da população, e em 1814, 31%. Portanto, a omissão do negro numa pintura tão representativa não foi por engano”, afirma Latuff.

Resta saber, assinala ainda o cartunista, “se isso se deve a influência da educação fascista na formação de Aldo Locatelli (que inclusive serviu como combatente nas tropas de Mussolini no Norte da África durante a Segunda Guerra Mundial) ou se foi determinação do governo gaúcho, na época tendo a frente Ernesto Dorneles, primo de Getúlio Vargas, que era empossado como presidente do Brasil pela segunda vez”. A resposta a essa pergunta, conclui Latuff, pode ajudar a entender o racismo que ainda persiste no Rio Grande do Sul, seja ele de caráter sóciocultural ou mesmo como política de estado.
 
A historiografia do período no Rio Grande do Sul ignorava a presença do negro como elemento constitutivo da formação da identidade gaúcha.
(Foto: Guilherme Santos/Sul21)

A exclusão do negro na história

Segundo Luciana da Costa de Oliveira, doutoranda em História na Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS) e autora de uma dissertação de Mestrado sobre o Rio Grande do Sul de Aldo Locatelli (arte, historiografia e memória regional nos murais do Palácio Piratini), a ausência do negro na tela em questão deve ser entendida dentro do contexto intelectual e historiográfico do Estado naquele período. A historiografia de então, assinala a pesquisadora, ignorava a presença do negro como elemento constitutivo da formação da identidade gaúcha. Esse quadro só vai ser alterado a partir da década de 1980, como o trabalho de pesquisadores como Mário Maestri. Em sua dissertação, Luciana de Oliveira escreve:

“Nas décadas de 1940 e 1950, essa figura [do negro] não estava incorporada à história, à cultura e à mistura étnica gaúcha. Dessa maneira, a inexistência da imagem do negro no mural está intimamente relacionada ao ambiente intelectual em que Locatelli encontrava-se inserido (…) Os dois autores que aqui foram tomados por base e que Locatelli esteve mais próximo (Manoelito de Ornellas e Érico Veríssimo) não citam ou desconsideram a participação do negro como elemento formador, uma vez que ele só aparece como mão de obra produtiva”.

O período da contratação de Aldo Locatelli pelo governo do Estado e da realização das pinturas no Palácio Piratini é marcado, entre outras coisas, pela construção da ideologia do gauchismo, da figura do gaúcho mítico, ainda muito presente no Rio Grande do Sul. É o período, por exemplo, da institucionalização dos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs). A representação artística de Locatelli, assinala ainda Luciana de Oliveira, procurou integrar esse discurso identitário promovido pelo governo do Estado nas décadas de 1940-50. Os temas centrais dessa representação são: a visão das Missões Jesuíticas e dos Bandeirantes do mundo antigo; Criação de fazenda de gado; A Família como unidade humana; O trabalho no campo; Colonização e Agricultura; Produção e riqueza. Conforme observa a pesquisadora:

“Os aspectos históricos e formativos, que foram plasmados através das figuras dos portugueses, dos bandeirantes e dos índios das Missões, aparecem em maior destaque na parte superior da obra. A cultura e a sociedade sul-rio-grandense foram representadas pela figura mítica do gaúcho, possuidor de todos os simbolismos que, ao longo do tempo, foram sendo agregados a ele e, identitariamente, a todo o povo rio-grandense”.

O negro está totalmente excluído dessa representação.
 
Discurso idílico e fantasioso construído nas décadas de 40 e 50 forjou uma identidade gaúcha repleta de lacunas, desconexões, omissões e branqueamentos.
(Foto: Guilherme Santos/Sul21)


Fantasias e traumas em relação à herança e à identidade

No artigo “Herança e mecanismos psíquicos” (*), os psicanalistas Mario Fleig e Conceição Beltrão apontam os transtornos que acompanham os tratamentos de temas como herança cultural e identidade, no contexto do projeto da “conquista espiritual da América”, nascido da Contra-Reforma. Invariavelmente o destino a ser dado a uma herança, assinalam os autores, se transforma num transtorno e mesmo num problema insolúvel. O que é feito com a relação com o ancestral, com a herança, é determinado “pela forma como cada descendente se constrói a partir de sua fantasia em relação à sua filiação”. No caso do Rio Grande do Sul, assinalam, essa experiência iniciou em 1626, quando o Padre Roque González fundou a primeira redução jesuítica.

Prestando atenção na forma como essa história é contada hoje, observam Fleig e Beltrão, é impossível estabelecer uma conexão entre o período histórico do projeto missioneiro e a história da região após a guerra guaranítica que pôs fim às Missões. “Quando é perguntado sobre a relação entre o projeto missioneiro e a história dos atuais habitantes da região, inicialmente não parece que a pergunta surpreenda, mas que incida sobre uma lacuna”, escrevem. Há dois momentos históricos relatados de forma inteiramente dissociada e sem conexão. Ou, dito de outra forma, há “a construção de uma lacuna entre o período da fundação jesuítica e a chamada fundação europeia, com a chegada dos alemães”.

Essa desconexão, assinalam ainda os autores, está presente no discurso dessa cultura e pode ser “um resquício da política de branqueamento da raça difundida pela história oficial construída a partir do Segundo Império”. O processo de construção de uma identidade cultural neste período histórico repousa sobre o que eles chamam de “uma fundação efetivada através de atos de violência, ou seja, um assassinato”. “Na medida em que os antepassados promoveram um genocídio, os descendentes, frente a este ato narcisicamente insuportável, paradoxalmente o repetem através da não-conexão entre as duas fundações e da repetição do traço do discurso do colonizador. Nessa região, os imigrantes alemães e italianos não se encontram, subjetivamente, na posição de colonos, mas sim de colonizadores, reeditando em outras partes do país a conquista de terras e a luta contra índios e posseiros”, concluem.

O artigo de Mario Fleig e Conceição Beltrão talvez forneça algumas categorias para se pensar a omissão no quadro de Locatelli. Uma delas é a “forma como cada descendente se constrói a partir de sua fantasia em relação à sua filiação”. O edital que deu origem aos painéis de Locatelli foi elaborado a partir de um projeto de construção de um discurso identitário promovido pelo governo gaúcho nas décadas de 1940 e 1950. Neste discurso, como se vê na tela do artista, o negro não é um elemento constitutivo da “formação histórico-etnográfica do povo rio-grandense” e sua figuração aparece como representação de uma lenda. Outra é a desconexão entre períodos históricos. O que justifica, como aponta Latuff, a omissão no quadro de Locatelli, num Estado onde os negros escravos eram 28% da população, em 1780, e 31% em 1814? Talvez uma fantasia em relação à própria filiação, fantasia esta que segue presente em um discurso idílico de uma identidade gaúcha repleta de lacunas, desconexões, omissões, branqueamentos e muitas mortes.

(*) In. “Imigração e Fundações”/Associação Psicanalítica de Porto Alegre (APPOA). Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2000 (Coleção Letra Psicanalítica).


Fonte: Portal Sul 21
 

FEGGART iniciou ontem

Sexta-feira, 24/07/2015, às 09:51, por Giovani Grizotti   
 
Precursor do Enart, o Festival Gaúcho e Gastronômico de Arte e Tradição (FEGGART)  celebra sua edição de ouro a partir de hoje, em Farroupilha, na Serra. São trinta anos de um evento que fez história na cultura gaúcha. Mais de 1300 competidores em nove modalidades disputarão os primeiros lugares até o domingo. A TV COM transmite o festival, a partir das 20h de hoje, via internet. No domingo, a partir das 8h, a transmissão será pela tv aberta (canal 36 UHF) e também pela Net.
 
As atrações musicais no Parque Cinquentenário (ingressos a R$ 5,00 e estacionamento a R$ 10,00) incluem Luiz Carlos Borges (hoje, 21h), Tchê Guri (amanhã, no fandango oficial, às 23h, com ingressos a R$ 25 reais - prendas, e R$ 30,00 - peões) e César Oliveira e Rogério Melo (domingo, 17h). A dupla também grava, no Feggart, episódio do especial "Desafio Farroupilha", da RBS TV, na qual irá descobrir a nova revelação da música gaúcha. Um dos finalistas será escolhido durante o festival.
 


Fonte: blog Repórter Farroupilha e blog do Léo Ribeiro

Triagem do 8º Canto Missioneiro e 7º Canto Piá Missioneiro

Na próxima segunda-feira, 27, inicia a triagem do 8º Canto Missioneiro da Música Nativa e 7º Canto Piá Missioneiro, festivais que acontecerão nos dias 10,11 e 12 de setembro na cidade de Santo Ângelo.  A pousada Parque das Fontes, foi o cenário escolhido pela comissão organizadora do evento para reunir os integrantes das comissões avaliadora e de triagem.

Ao todo serão analisadas cerca de 850 inscrições, considerando-se os concorrentes das etapas Geral e Local, mais os inscritos para o Canto Piá.

Todos os jurados confirmaram participação na triagem. São eles: Claudino de Lucca, Dionísio Costa, Edgar Prestes, Érlon Péricles e Robledo Martins.

A coordenação geral dos trabalhos é do Secretário de Cultura, Lazer e Juventude, Julio Matos, com produção executiva de Jairo Reis.   

A produção cultural do Canto Missioneiro é da Nova Produções.

Provavelmente o resultado da triagem somente será conhecido na manhã de quarta-feira, 29 de julho.


Fonte: blog Ronda dos Festivais de Jairo Reis

Semana Farroupilha 2015 - de 07 a 20 de setembro de 2015

O Campeirismo Gaúcho e a sua Importância Social e Cultural

O tema de 2015 dos Festejos Farroupilhas é "O CAMPEIRISMO GAÚCHO E A SUA IMPORTÂNCIA SOCIAL E CULTURAL"

Aprovado no 63º Congresso Tradicionalista Gaúcho, realizado no mês de janeiro de 2015, na cidade de Uruguaiana (4ª Região Tradicionalista) o tema trás como objetivo a valorização do homem do campo e desta forma auxiliar na compressão das atividades sociais e culturais que envolvem o gaúcho.

O tema “campeirismo gaúcho” permite compreender costumes, símbolos, valores, ideias e tradições, valorizando assim os diferentes aspectos que contribuem para a formação do gaúcho denominado campeiro. Para que possamos compreender estas práticas evidenciadas e reafirmadas pela tradição gaúcha, o segmento social escolhido é o peão campeiro.

A identidade cultural do gaúcho dito campeiro também se resulta do cruzamento de várias etnias, que assim contribuíram para que hoje tenhamos estas características que são únicas do nosso povo. A contribuição social do peão campeiro também está presente nas formações de nossas cidades. Com o seu linguajar característico e diferenciado, devido a sua região de origem (serra, fronteira, planalto, campanha e litoral), tem contribuído sobre maneira para a formação do meio urbano.

Trabalhar o campeirismo é reconhecer a sua importância em todos os aspectos. É podermos estudar seus métodos de trabalho antiquíssimos e que em tempos atuais ainda são praticados, muitos mantendo a mesma essência e forma artesanal com que eram feitos.

Espera-se com este modesto trabalho, contribuir para a compreensão, divulgação e valorização do gaúcho campeiro, figura esta que é parte importante no surgimento do que hoje se vivencia nas tradições de nosso estado.

Tópicos a serem trabalhados:

Sugestões a serem trabalhadas durante os festejos são a relação entre o homem e o cavalo, a música campeira, o laço, afazeres domésticos, mãos gaúchas no couro, galpão, a tosquia, o alambrado e a ordenha.

1 - Relação entre o homem e o cavalo -
Apresentar a convivência entre homem e cavalo, por exemplo a luta entre domar e ser domado foi estreitando-se, de tal forma que quando se fala no termo gaúcho, logo se remete ao homem campeiro montado em seu cavalo.
A  atuação na lida campeira, onde o animal torna-se imprescindível para os ofícios do dia a dia, marcações, campereadas, rondas noturnas, recorrer o campo, castrações, comitivas e tropeadas.
O convívio entre o peão campeiro e o cavalo em nossas zonas rurais e urbanas é muito comum, desde o simples fato da utilização para montaria e cavalgadas, onde é usado para ir à missa, bolicho, fandango, entre tantos outros acontecimentos, até a sua utilização no ambiente de trabalho.

2 - A música campeira
Apresentar o gaúcho campeiro, atuando em seus momentos de lazer e descontração como artista, expressando suas habilidades, em torno da música campeira ou música de raiz, pajadas e poesia gaúcha.
Pesquisar os principais instrumentos musicais do Rio Grande do Sul: viola, rabeca, violão, gaita e outros.

3 - O laço
Surgimento e introdução do laço do Rio Grande do Sul
Apresentar  tipos de laço e origem, composição do laço
Trabalhar a pratica da vaca parada com as crianças.
Pealos
O laço no imaginário social

4 - Afazeres domésticos  - no início da criação das estâncias o trabalho da mulher esteve muitas vezes ligado aos afazeres domésticos, zelando sempre pela estrutura familiar. A participação feminina foi, e ainda é, fundamental em todo o contexto histórico, social e cultural do Rio Grande do Sul.
Apresentar atividades como: fazer comida, pão, doces, costuras, tirar leite, cuidar da horta e outros.

5 - Mãos gaúchas no couro
Apresentar o trabalho do guasqueiro, suas próprias técnicas na fabricação de utensílios de montaria e outros.
Tratamento no couro e modelos de tranças de couro.
Utilização do couro na vestimenta do gaúcho.

6 - Galpão
Apresentar tipos de galpões, utensílios usados, mobiliario e outros, partes componentes do galpão, sua fincionalidade.

7 - Tosquia
A comparsa e (composição das diversas atividades)
Cuidados com os animais após a tosa.
Ferramentas;
Ambiente da tosquia;
O preparo do local

8 - O Alambrador
Utilização, o profissional (o  alambrador), materiais usados no alambrado, ferramentas utilizadas e nomenclaturas.

9 - Ordenha
Origem, finalidade, termos utilizados e a atividade em si.

Fabiano Vencato

Fonte: site da Semana Farroupilha

João Chagas Leite no Boteco Tchê


Marcello Caminha em Curitiba-PR


Fito Páez em Buenos Aires-ARG


Entrevista com Juarez Machado de Farias

Essa semana, proseamos com Juarez Machado de Farias, advogado, poeta e radialista, da cidade de Piratini.


De Paysano, Para Paysano: Onde nasceu? Onde mora?

Juarez M. de Farias: Na Costa do Arroio Barrocão e do Rio Camaquã, bem no encontro dessas duas águas, no 3º Distrito de Piratini. Moro desde que concluí o Curso de Direito em Pelotas, em 1997, na cidade de Piratini, atualmente, na Rua General Neto nº 10, Centro. Aliás, me orgulha muito morar num lugar com o nome deste valoroso brasileiro e gaúcho.

 De Paysano, Para Paysano: Qual a tua maior saudade?

Juarez M. de Farias: Da ingenuidade da infância quando o tempo era mágico e permeado com conversas com amigos imaginários ou invisíveis.

De Paysano, Para Paysano: O que te fez começar a escrever (musicar, interpretar)? Qual a primeira letra (letra musicada, Interpretada, lembra)?

Juarez M. de Farias: Minha saudosa Professora MARIA LÚCIA MACHADO DA ROSA foi quem me estimulou a escrever a partir de uma redação – que ela chamava “composição” – que fiz sobre Tiradentes. Ela leu e disse mais ou menos assim: “Juarez, tu podes ser um escritor.” Essas palavras foram determinantes para que eu começasse a ler sobre poesia naquela precária escolinha de madeiras verdes de nome Machado de Assis que nem biblioteca possuía mas tinha um tesouro de educadora. A primeira letra musicada acho que foi por Leonardo Oxley Rodrigues quando eu estudava no CAVG (Conjunto Agrotécnico Visconde da Graça) que ainda continua inédita. A primeira letra gravada foi na 5ª Vertente da Canção Nativa, em dezembro de 1994, em Piratini, intitulada “Sem Água Pro Mate”, musicada por Joca Martins e interpretada por Flávio Hanssen.

De Paysano, Para Paysano: Tua maior influência?

Juarez M. de Farias: Luiz Coronel, Apparicio Silva Rillo, Jaime Vaz Brasil, Sérgio Napp.

De Paysano, Para Paysano: O que mais fala sobre ti? Por que? Um verso de autoria tua ou não, que fale de ti.

Juarez M. de Farias: “No mais, eu não mudei, ainda canto/milongas num violão que é mais um vício/e busco na janela a inspiração/falando de um galpão neste edifício” – uma estrofe da letra Guri do Campo, musicada por Diego Espíndola, porque é o meu retrato. Minha essência é a simplicidade do campo mas sou urbano, irremediavelmente, urbano por força das profissões de advocacia e radialista.

De Paysano, Para Paysano: Tua melhor letra, a que tens o maior carinho? (Mandar a letra, se possível)

Juarez M. de Farias: “Se Marx fosse peão” é um poema que me traz muitas alegrias. Até um juiz  em uma vara do Trabalho de Joinvile, Santa Catarina, usou o poema para fundamentar sua decisão. Quem quiser conferir, o endereço é endereço eletrônico http://sintrajusc.blogspot.com/2008/05/se-marx-fosse-peo.html.

Mas eu destaco muitas outras como “Florecita” com Joca Martins, “Velho João Esquilador” com Fernando Mendes, “Aviso” em parceria com Valdir Verona.

De Paysano, Para Paysano: Qual pensamento que teve quando escreveu?

Juarez M. de Farias: Cada poema/letra que escrevo tem razões muito emotivas e reais. Quando comecei a escrever, eu tinha um desespero em produzir muito mas, de uns tempos pra cá, acho que amadureci e me tornei mais comedido em quantidade para buscar textos mais concisos mas fortes.

De Paysano, Para Paysano: O que acha dos nossos festivais? Teus melhores amigos (dentro da música)?

Juarez M. de Farias: Se não existissem os festivais, minha história seria outra e os meus melhores amigos talvez não teria encontrado nessa vida. Quantas risadas, lágrimas, histórias incríveis eu vivi por causa dos festivais nativistas. É – e será sempre pra mim! – um mundo mágico. Recentemente, ganhei do Poeta José Carlos Batista de Deus uma sacola com vários livros de festivais desde as primeiras edições da Charqueada de Pelotas até os mais recentes. É um presente com um valor imenso. Agradeci muito ao Batista.

Foi difícil entrar no meio da música?

Juarez M. de Farias: Sim. O primeiro festival de que participei foi a VI Jerra de Santa Vitória do Palmar. Era uma música minha e do Joca Martins – “Estampa De Um Livre” – que ele interpretou. Não foi pro disco e foi uma grande tristeza pra mim que estava começando. Teimei muito até começar a participar em discos.

De Paysano, Para Paysano: O que sente, quando as pessoas cantam as tuas músicas?

Juarez M. de Farias: É uma emoção que se mistura com a ideia de que a arte deve ser socializada.Assim também ocorre com os poemas de minha autoria, como, por exemplo, “O Forneiro E O Porteirão”, declamado em muitos concursos do meio tradicionalista por crianças e jovens que nem conheço. Às vezes, procuro na internet gravações e citações das minhas obras e fico feliz pois acho bastante ressonância do meu trabalho que é, essencialmente, muito simples.

De Paysano, Para Paysano: Com quem escreveria um verso?
Juarez M. de Farias: Com Mário Barbará, um dos meus ídolos. Ele mesmo poderia cantar com aquela voz tímida mas sentimental e autêntica.

De Paysano, Para Paysano: Qual a tua rotina?
Juarez M. de Farias: De segunda-feira à sexta-feira, acordar às 04h20min para apresentar o programa “Canto dos Livres”, ou seja, MADRUGAR mesmo. Com muito chimarrão e emoção. No sábado, às 05h20min, para apresentar o programa “Amanhecer Em Cacimbinhas” – ambos pela Rádio Nativa FM de Piratini, que podem ser sintonizados em www.nativafmpiratini.com ou no rádio – FM 93.9.Voltar pra casa (sou muito caseiro) e trabalhar em poesia e advocacia pois meu escritório é na minha própria residência.

De Paysano, Para Paysano: O momento em que os versos nascem, momento que te inspira?
Juarez M. de Farias: Qualquer momento. Quem se pretende poeta ou compositor tem de estar sempre inspirado. Inspiração e transpiração: essa dupla é o segredo da boa arte.

De Paysano, Para Paysano: Pra quem está começando, qual é a dica?
Juarez M. de Farias: Ler muito e escrever muito, mostrar o que escreve para pessoas do meio.

De Paysano, Para Paysano: Fala um pouco do seu ultimo trabalho.
Juarez M. de Farias: Tenho uma parceria com Fernando Mendonça Mendes – desde os idos de 1990 – e fiquei muito feliz com a edição do seu disco “O CANTO SIMPLES DA ALMA” que leva o nome de uma letra minha musicada e interpretada por ele, a qual foi feita num festival para convidados no interior de Canguçu, o Paradouro do Minuano. Valdir Verona gravou “Irmão Violeiro” e está a levar meus versos pra todo o Brasil, inclusive fora dele. Inclusive, já se apresentou no programa “Sr. Brasil” com Rolando Boldrin, oportunidade em que cantou a nossa música “Aviso”. Jorge Guedes e Família gravaram a minha letra “Anjo e Flor”, uns versos que fiz a pedido de um grande amigo que tenho – ADILSON QUADRADO VIANA (de Jaguarão mas que mora em Bagé ) – para sua esposa ZICA. É uma letra que fala de uma mulher carinhosa, verdadeira mas também tem um apelo universal pela PAZ. Enfim, estou em plena atividade.

De Paysano, Para Paysano: Sobre o que não foi perguntado, gostaria de acrescentar mais alguma coisa?
Juarez M. de Farias:  Acho que tudo foi perguntado para esta ocasião feliz em que me permito refletir sobre meu fazer-poético. Resta-me agradecer essa deferência que me fazes e desejo  que o DE PAYSANO PRA PAYSANO continue pois já é uma fonte de pesquisa para os programas de rádio que produzo. MUCHAS GRACIAS!


De Paysano, Para Paysano: Obrigado, Juarez, pelo carinho e disponibilidade em responder nossas perguntas. Sucesso!



por Rafael Mota Altenburg
Fonte: blog De Paysano, Para Paysano!

Entrevista com Carlos Omar Villela Gomes


Buenas!
Em nossa primeira prosa, "De Paysano, Para Paysano", temos o prazer de apresentar Carlos Omar Villela Gomes.

Advogado, poeta, compositor, uruguaianense, residente em Jaguari-RS. Integrante efetivo do movimento nativista gaúcho, tem cerca de 500 composições e poesias com registro fonográfico, sendo premiado em diversos eventos, entre eles, Califórnia da Canção Nativa, de Uruguaiana; O Rio Grande Canta o Cooperativismo; Reponte da Canção, de São Lourenço do Sul; Canto Missioneiro, de Santo Ângelo; Minuano da Canção, de Santa Maria; Gauderiada da Canção, de Rosário do Sul; Grito do Nativismo, de Jaguari; Sapecada da Canção, de Lages-SC; Musicanto Sul Americano de Nativismo, de Santa Rosa; Coxilha Nativista, de Cruz Alta; Carijo da Canção, de Palmeira das Missões;Um Canto para Martin Fierro, de Santana do Livramento; Nevada da Canção, de São Joaquim-SC; Seival da Poesia Gaúcha, de São Lourenço do Sul; Festival de Música Crioula, de Santiago; Sesmaria da Poesia Gaúcha, de Osório; Bivaque da Poesia, de Campo Bom; Tropeada do Verso Sulino, de Caxias do Sul, Pealo da Poesia de Alegrete, Querência da Poesia, de Caxias do Sul, Carreteada da Poesia, de Santa Maria, Garimpo da Poesia, de Soledade, entre vários outros, atuando também como jurado em diversos eventos poético-musicais. Em 1997 recebeu o Troféu Vitória, prêmio concedido pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul aos destaques no nativismo, sendo premiado na ocasião como melhor letrista do ano. É vencedor por dois anos consecutivos do Concurso Estadual de escolha da Música-Tema da Semana Farroupilha, promovido pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho e o Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, em 2005 com a composição “Gaúcho Sentimento” e em 2006 com “Tradição de Glória”. Foi vencedor do Carnaval de Uruguaiana como autor do samba enredo da Escola de Samba Unidos da Cova da Onça e vencedor, melhor samba-enredo e melhor compositor de samba no carnaval de Cruz Alta pela Escola de Samba Imperatriz da Zona Norte. Membro da Estância da Poesia Crioula do RS, do Galpão da Poesia Crioula de Santa Maria, da CAPOSM(Casa do Poeta de Santa Maria), da AUL(Academia Uruguaianense de Letras) e ASL(Academia Santa–Mariense de Letras). É integrante da Oficina poético-declamatória Gaúchos Brasileiros. Possui CD com suas composições lançado pela gravadora USA DISCOS. Atualmente está finalizando o CD duplo “Gauchamente Falando”. Recentemente lançou o livro intitulado “Os Dez Mil Poetas”, sendo este projeto, elaborado pela Produtora Cultural Bianca Bergmam, aprovado e financiado integralmente pelo FAC(Fundo de Apoio a Cultura) do Estado do Rio Grande do Sul.

O Blog "De Paysano, Para Paysano", te agradece, Carlos Omar Villela Gomes, pelo carinho, cumplicidade e paciência, ao responder as perguntas. Agradeço à tua sinceridade. Obrigado, ainda, por incentivar e agregar tanto a nossa cultura.

De Paysano, Para Paysano: Onde nasceu? Onde mora?

Carlos Omar Villela Gomes: Nasci em Uruguaiana, Sentinela da Fronteira. Me formei e fui abençoado com meus filhos em Santa Maria, cidade Coração do Rio Grande, onde fui estudar e acabei me aquerenciando. Hoje resido em Jaguari, a Terra das Belezas Naturais.

De Paysano, Para Paysano: Qual a tua maior saudade?

Carlos Omar Villela Gomes: Saudade do meu pai, das minhas avós, dos tempos da inocência. Dos amigos antigos, que se foram. Saudade da minha Uruguaiana. Hoje a cidade continua bela, mas não é mais a minha Uruguaiana. Essa ficou guardada em algum cantinho do tempo. De vez em quando assobia na esquina da minha antiga rua. Mas é uma saudade boa, pois cada momento da vida tem sua beleza e seu encantamento. Se perdi meu pai, minhas avós e alguns bons amigos, a minha mãe Maria Helena, meus irmãos Paulinho e Maria Esther e muitos outros amigos de infância continuam comigo,  firmes e fortes. Hoje tenho meus filhos, Bibiana, Helena e Mariano, benção maior. Tenho a Bianca, meu amor. Somei outros grandes amigos pela estrada. Quem se foi, o tempo que se foi, continua conosco sempre, criando a base do que somos vida a fora. Não choro a saudade, brindo a ela.

De Paysano, Para Paysano: O que te fez começar a escrever? Qual a primeira letra, lembra?

Carlos Omar Villela Gomes: Tenho dois tios, o Vinícius Pitágoras Gomes, já falecido,  e o José Luiz Souza Villela, o Tio Gordo, que são poetas de mãos cheia e já participavam desde a minha infância das antigas Califórnias da Canção. Através deles, incentivado por meus pais, fui pegando gosto pela nossa cultura regional e pela poesia em si. Meu pai, Paulo Tarso Gomes, escrevia muito bem e minha mãe, Maria Helena, que foi a revisora do meu livro,  sempre teve uma sensibilidade ímpar para a poesia. Neste quadro acabei me aquerenciando definitivamente no universo imenso da poesia gaúcha.
Fiz meus primeiros versos quando tinha 11 anos, em um tema de aula, no retorno das férias de verão, contando os dias passados na estância do tio Cezar e da Tia Eleni, pais do grande poeta Rafael Ovídio, o Cabo Deco e do compositor Leandro Gomes, ambos meus primos-irmãos mais irmãos que primos e parceiros poético-musicais desde a infância.
Os versos diziam mais ou menos assim:
“Lá na estância do meu tio
É que eu pesco nos lagoões;
É lá que eu ando nos mouros,
Tordilhos, ruanos, lazões.”
Tem entrada na BR
Pras bandas do Caitoaté;
Se não dá pra ir a cavalo
Eu vou andando, de a pé!”
Pois é, de lá pra cá já somei 33 anos de verso e 44 de vida.

De Paysano, Para Paysano: Tua maior influência?

Carlos Omar Villela Gomes: Seria injusto definir uma única influência. Posso citar as que considero principais. Meus tios José Luiz Villela e Vinícius Pitágoras Gomes, meu pai, Paulo Tarso, Antônio Augusto Ferreira, que  foi o primeiro poeta fora da família a acreditar na minha arte. Colmar Duarte e Mauro Marques, mestres e amigos. Poderia citar vários outros de grande porte. Jaime Vaz Brasil, Sílvio Genro, Moisés Menezes, Jaime Brum Carlos, Miguel Bicca, Nenito Sarturi. Dos da nova geração, Rodrigo Bauer, Gujo Teixeira, Guilherme Collares, Juarez Machado de Farias, Rômulo Chaves. Influências boas que vão se somando pela vida, pois estamos em constante aprendizado e aprimoramento.  Sem citar os esteios da nossa poesia, Aureliano, Rillo, Jaime Caetano, Juca Ruivo. É longa a lista.

De Paysano, Para Paysano: O que mais fala sobre ti? Por que? Um verso de autoria tua ou não, que fale de ti.

Carlos Omar Villela Gomes: Tenho uma base familiar muito sólida e isso repasso na relação com meus filhos e meu amor. Na profissão, advocacia, sou objetivo e racional, mas na vida e na arte sou um ser emocional. A sensibilidade é minha bênção e meu calcanhar de Aquiles, mas creio ser o melhor caminho. Sofro muito perante as injustiças, aberrações, opressões, preconceitos e ódios que existem pelo mundo e frequentemente nos afogam de trevas pelas redes sociais. Sou um cidadão que acredita piamente na fraternidade e no poder transformador da arte. A arte tem o condão de sensibilizar as pessoas, e os corações sensibilizados certamente reagem melhor frente às máculas e barbáries da nossa sociedade, que por serem tão comuns e constantes acabam sendo banalizadas, pois de tanta dor, nossos corações se embrutecem e congelam. A arte derrete esse gelo e humaniza os seres humanos, que começam a enxergar e a reagir em prol do bem. Esse é o grande sentido da arte. Combater as chagas e defender os bons sentimentos e causas. Talvez o conjunto do que escrevo e as bandeiras que defendo me definam.
Uma vez o poeta Ramirez Monteiro me viu emocionado em um evento e escreveu “ Quando o Poeta Chora de Felicidade”. Talvez também seja uma noção do que sinto com relação à sensibilização que a arte nos presenteia.

De Paysano, Para Paysano: Tua melhor letra, a que tens o maior carinho? (Mandar a letra, se possível)
Carlos Omar Villela Gomes: Não tenho como definir uma letra ou poesia como melhor ou objeto de carinho maior,  pois todas são que nem filhos e muitas nasceram de forma diferenciada. Posso, talvez, compartilhar uma letra, que pode não ser a mais rica, a mais elaborada, mas pela forma como foi feita, talvez represente bem o que considero de mais sagrado na poesia: A Inspiração. Esses versos desceram em poucos minutos em um festival fechado, o Canto do Jaguar, primeiro do gênero a abrir as portas para a participação feminina, cujo tema foi “Mulher”. Foi certamente um momento espiritual e foi musicada da merma forma pelo meu irmão Nilton Ferreira: NA PAZ E NA DOR.

NA PAZ E NA DOR
No começo não te vi...
Talvez surgindo do nada
Por uma trilha encantada
Aos poucos apareci.
Flutuei num berço quente,
Num mundo dentro de ti...
Ventre de paz, simplesmente,
Até que um dia, nasci.

Chorei meu primeiro pranto,
Respirei meu próprio ar...
Me alimentei no teu seio,
Me aconcheguei no teu lar.
Abri meus olhos pra vida,
Pleno de luz e esperança...
Te vi mãe, anjo da guarda,
Com meu olhar de criança.

Te vi avó, protetora,
Com nossos planos secretos...
Talvez um doce escondido
Pra o meu sorriso de neto.
A vida seguiu de manso,
Me levaste pela mão...
Até que, não mais criança,
Um dia te vi paixão.

E quantas vezes te vi
Sob um olhar encantado...
Num rosto doce de moça
Te vi ternura e pecado.
E quantas vezes senti
E escrevi no papel,
Que nos teus olhos eu vi
Um anjo longe do céu.

Te vi em forma de um sonho
De sonhar a vida inteira...
Trocamos almas e alianças,
Então te vi companheira.
E te abracei mansamente
Pela mais linda das trilhas,
Até que um dia de inverno
Te vi em forma de filha.

O tempo encurta os caminhos
Com suas asas abertas...
Até que um dia, velhinho,
Te vi num rosto de neta.
Te vi com vários olhares,
Te vi na paz e na dor...
Mas sempre te vi mulher,
Mas sempre te vi amor!

De Paysano, Para Paysano: Qual pensamento que teve quando escreveu?

Carlos Omar Villela Gomes: Não houve qualquer pensamento, qualquer neurônio envolvido. Ela simplesmente aconteceu. Define a inspiração em sua forma mais pura, por isso é especialíssima.

De Paysano, Para Paysano: O que acha dos nossos festivais? Teus melhores amigos (dentro da música)?

Carlos Omar Villela Gomes: Entendo que os festivais são um celeiro inesgotável de criação poético-musical e a maior vitrine que temos dentro do nativismo. Sou grato aos festivais por tudo o que já proporcionaram e proporcionam ao nosso cancioneiro. Agora, eles devem ser encarados como um meio de divulgação e não como o objetivo final da arte, que é imensamente maior que qualquer competição, por mais sadia que seja. O Érlon Péricles brinca que sou o último romântico dos festivais. Tenho certeza que não, mas ao certo sou um deles. Que Deus nunca me prive de versejar com amor e paixão.
Quanto aos amigos de verdade, os grandes e verdadeiros amigos, graças a Deus, se eu começar a elencar, talvez passe o dia escrevendo e ainda faltará gente muito especial. A amizade é o grande patrimônio que ganhei na jornada da arte.

De Paysano, Para Paysano: Foi difícil entrar no meio da música?

Carlos Omar Villela Gomes: Na verdade as coisas aconteceram de uma forma casual. Apesar de ter ligação como nativismo desde piá, através dos meus tios e das primeiras Califórnias, nunca tive o interesse objetivo de participar dos eventos de forma profissional. Quando piá eu esboçava algumas canções com os meus primos Rafael Ovídio e Leandro Gomes. Fiz algumas melodia até, com as três notas que sabia no violão. O primeiro compositor a musicar e gravar uma letra minha foi o Jander Fagundes, de Uruguaiana, que na época era porteiro do Colégio Sant’Anta, onde eu estudava e volta e meia chegava atrasado. Então tinha que esperar o segundo período e ficava proseando com o Jander. É meu grande amigo e parceiro musical até hoje. Depois fui cursar Direito em Santa Maria, onde me encontrei com o Túlio Urach, conhecido e até a  pouco  desafeto de Uruguaiana, por rivalidades colegiais, e hoje dos melhores amigos que somei na vida. Eu e o Túlio começamos a compor pra o nosso consumo, mas nunca tivemos a intenção de divulgar o que criávamos. Nunca pensamos em gravar, muito menos de participar de festivais. Era a composição no seu modo mais despretensioso e desapegado. Naquela época fundamos a Sociedade Lítero-Musical Nativista Estrogonofe de Charque, que ainda está ativa, e após cerca de 25 anos de existência, possui um rol de integrantes convicto e imutável: o Túlio e eu. E assim foram anos de muito violão e verso pela velha Santa Maria. O violão por conta do Túlio, esclareça-se. Arranho um violão canhoto, mas sei meu lugar.
Uma certa noite, lá por abril de 1993,  chegamos eu e o Túlio, mais uns amigos em um bar santa-mariense chamado Boca de Monte, e tinha uma dupla tocando. Um cabeludo e um cara de óculos. O cabeludo cantava e tocava e o outro acompanhava, ambos no violão. Repertório versátil, entre MPB e muito nativismo. Realmente cativante. Ali ficamos, remando em uma ou duas cervejas e biqueando uma canha com fanta que escondemos debaixo da mesa, que a sede era grande e os pilas curtos. Normal da vida universitária. Num determinado momento eles fizeram um intervalo e sentaram ao nosso lado. Resolvi elogiar a dupla, que realmente era excelente, e aí a prosa fluiu. O cabeludo era o Erlon Péricles e o de óculos o Aldrim Prates.  Já tinha ouvido falar no Érlon, que, apesar de estar começando no meio nativista, já tinha emplacado algumas composições do meu agrado e conhecimento. Como houve empatia, o Érlon me convidou pra tomar um mate na casa dele e levar uns versos pra mostrar. Eu era tão despreocupado com música na época, apesar das composições com o Túlio, que de quatro pastas de versos, só meia dúzia possuíam forma propícia para musicar. O Érlon gostou de alguns versos e fechamos a parceria. Ele musicou algumas letras e gravou. Acreditou no que eu escrevia. Acreditou em mim. Me apresentou muita gente boa. Dizia que eu era poeta e que estava começando a compor para os festivais. Muitos me receberam muito bem e alguns perguntavam: Quantas músicas tu tens gravada? Eu ficava pensando: - Bah, qual é a parte do “está começando” que eles não entenderam? Mandei as músicas vários meses sem classificar nas triagens, até que em dezembro de 1993 classifiquei uma composição com o Érlon na 5ª Vertente de Piratini. Como ele estava tocando em Florianópolis na época, convidamos o Angelo Franco pra cantar. O Angelo eu havia conhecido antes de toda essa função, pois era amigo do Túlio, dos tempos eu que ambos moravam em Santiago. Chegamos ao festival no auge da nossa inocência e desconhecimento de causa. Era pra ser o Angelo mais dois violões. O Angelo chegou com apenas um violonista, o Luizinho Soares, pois o outro tinha quebrado a mão na véspera. E era o violonista solo! Então, através do Joca Martins, que havia sido recomendado pelo Érlon caso eu me apertasse, o Guilherme Collares assumiu a bronca no dia. O Angelo cantou muito bem e os guitarreiros se viraram nos trinta, mas não tínhamos condições de ir pra final, o que acabou se confirmando. Mas ali foi o passo inicial. Conheci o Joca, o Collares,  Cristiano Quevedo, o Mauro Marques, hoje dos meus maiores parceiros. Fiquei mais alguns meses sem classificar, até que no segundo semestre de 1994 passei duas composições com o Érlon do 1º Círio de Pelotas. Uma o Érlon cantou e a outra ficou a cargo da Juliana Spanevello, sempre talentosa, no alto dos seus 13 anos. A composição que a Juliana cantava passou pra final, sendo meu primeiro registro fonográfico. De lá pra cá foram muitos anos de aprendizado, aprimoramento, erros, acertos mas principalmente de muitos amigos se acolherando pelas veredas da arte, tanto na música quanto na poesia declamada.
De tudo isso ficou uma lição definitiva, que levo pra vida e procuro exercer cotidianamente: Ninguém é melhor que ninguém, ninguém nasce com currículo e todos têm direito a respeito, consideração e oportunidade.

De Paysano, Para Paysano: O que sente, quando as pessoas cantam as tuas músicas?

Carlos Omar Villela Gomes: Com relação aos parceiros, cantores, declamadores e púbico, emoção e gratidão são as palavras-chave.

De Paysano, Para Paysano: Com quem escreveria um verso? Musicada, por quem?
Carlos Omar Villela Gomes: Tenho grande admiração por vários poetas, e já fiz várias parcerias de versos, mas por afinidade, antiguidade e merecimento, sem dúvida tem um quarteto fundamental na minha estrada: Túlio Urach, Paulo Righi, Juca Moraes e meu amor Bianca Bergmam.
Agora, pra musicar, Érlon Péricles, Angelo Franco, Nilton Ferreira,Tuny Brum, Piero Ereno, Jean Kirchoff, Pirisca Grecco, Mauro Marques, João Bosco Ayala, Pedro Guerra, Geraldo Trindade, Marcelo Oliveira... Falo dos mais constantes. Com certeza, mesmo assim, estou esquecendo de gente inesquecível.
De Paysano, Para Paysano: Qual a tua rotina?
Carlos Omar Villela Gomes: Divido o tempo entre a família, a advocacia e a poesia. Muitas vezes tenho que pegar a estrada, por questões profissionais e artísticas. Quando fico por casa, tenho um dia a dia simples e encontro a felicidade nos pequenos prazeres, que forjam grandes riquezas. Em Jaguari isso se demonstra da forma mais singela. Tomar um vinhozinho de colônia com a Bianca, na beira da lareira; brincar com meus filhos; ligar pra minha mãe; Uns mates pela manhã; Um cafezinho servido pela Bi depois do almoço; fazer festa com as cusquinhas e o gato; Escrever uns versos; ouvir música; assistir a um jogo qualquer na casa do João Ari Ferreira, na nossa já tradicional Arena Mista, que nada mais é que a sala de TV dele; Filar uma bóia no Nilton Ferreira e na Rita. Receber e visitar amigos de fé. Enfim, pequenos momentos que tecem um mosaico imenso de felicidade na alma.

De Paysano, Para Paysano: O momento em que os versos nascem, momento que te inspira?
Carlos Omar Villela Gomes: Isso os versos decidem. Na maioria das vezes me considero um mero instrumento de repasse. Com o tempo a gente aprende a desenvolver letras e poemas de forma pensada, mas o grande e verdadeiro processo de criação é espiritual. Não tem hora nem local. Simplesmente acontece.

De Paysano, Para Paysano: Pra quem está começando, qual é a dica?

Carlos Omar Villela Gomes: Ler muito, ouvi muito, sentir, viver e criar. A inspiração está no mundo e o crescimento está na vida e no tempo. Somos eternos aprendizes. É chavão, mas é real. Antes de criticar exercitem a autocrítica. Deixem a alma fluir sempre, mas procurem nutri-la com capacidade e conhecimento. E, principalmente, entendam que a mensagem e a capacidade de sensibilizar as pessoas valem mais que qualquer troféu ou premiação. Tenham sempre em mente que a nossa cultura, ideias e valores são infinitamente maiores que o nosso umbigo, que o nosso tempo e que o real grande prêmio é contribuir com a construção de uma humanidade realmente mais humana. As portas do nosso rancho sempre estão abertas para os novos irmãos de arte.

De Paysano, Para Paysano: Falar um pouco do seu ultimo trabalho.

Carlos Omar Villela Gomes: Meu último trabalho lançado é o livro “OS DEZ MIL POETAS”, um resumo do que fiz na poesia e na musica nesses vinte e tantos anos de estrada. Ele foi integralmente patrocinado pela Secretaria do Estado da Cultura do RS, através do FAC(Fundo de Apoio à Cultura), com produção cultural do meu amor Bianca Bergmam, ilustrações do grande Sílvio Genro e arte final e diagramação do poeta e jornalista Shaka Guerreiro. Como todos são versejadores, a simbiose foi maravilhosa e o resultado final ficou muito além das minhas expectativas.

De Paysano, Para Paysano: Sobre o que não foi perguntado, gostaria de acrescentar mais alguma coisa?
Carlos Omar Villela Gomes: Quero agradecer imensamente a ti e à tua generosidade ao me convidar pra esta prosa. Através desta página poder
emos conhecer um pouco mais sobre os nossos companheiros de estrada e sina. Se me estendi muito é porque realmente as tuas indagações me levaram a viajar no tempo e a reencontrar nos porões e sótãos da alma a essência do que sou e os retratos do que fui. Viagem buena, que valeu à pena, que atiçou o braseiro do passado, mas que me fez ter mais confiança e certeza no fogueiral do presente. Beijão a ti, meu irmão Rafael, e a todos que compartilharem conosco estas extensas e sinceras linhas.


por Rafael Mota Altenburg
Fonte: blog De Paysano, Para Paysano!

Querência do Bugio - um tempo esquecido

Esse material guardei por anos, na esperança que os Governantes de São Francisco de Assis, se preocupassem com a Cultura do Município e com o Festival da Querência do Bugio, esse que é o maior evento do município onde resgata uma página da história do Rio Grande do Sul, com o Ritmo Bugio, o único Ritmo eminentemente gaúcho e que nasceu no Mato Grande 5º distrito de São Francisco de Assis, na gaitinha do Neneca Gomes. Mas, infelizmente, os mais interessados, os que ganham para fazer cultura não se importam com isso, eu achei por bem, não guardar somente para mim essa história tão bonita que foi a Criação desse festival.

Nunca quiseram me reconhecer como o Criador da Querência do Bugio,mas eu não me importo com isso, porque o Rio Grande todo sabe o que fiz e o que continuo fazendo e portanto espero que as novas gerações também conheçam essa história.

Esse material eu doei ao pesquisador Salvador Ferrando Lamberty para que guarde em seu acervo cultural e que os que lá visitam possam conhecer essa história que ficou esquecida por anos.

Espero que esse material possa reviver na mente dos pensadores e que a QUERÊNCIA DO BUGIO NÃO MORRA no anonimato.



por Paulo Ricardo Costa
Fonte: blog Entre Mates e Guitarra