terça-feira, 30 de novembro de 2010

Lançamento do livro João Cândido - O Almirante negro, de Alcy Cheuiche

No centenário da Revolta da Chibata, Alcy Cheuiche lança um registro pungente da escravidão, da Ditadura e da liberdade

João Cândido, o almirante negro: o primeiro romance que resgata a figura histórica e a coragem de João Cândido

Dez e meia da noite de 22 de novembro de 1910. Dois tiros de canhão sacodem a cidade do Rio de Janeiro. O jovem poeta Oswald de Andrade, que viria a tornar-se famoso alguns anos depois, é testemunha ocular daquele momento. Estilhaços de vidraças espatifando-se no chão. Habitués da Avenida Central correndo, apavorados, em diferentes direções. Um automóvel desgovernado que sobe na calçada. Ruído de ferro contra ferro. Faíscas do cabo elétrico de um bonde que escapara da roldana. O ruído lúgubre da sirene de um navio de guerra. Mãos trêmulas apontando para o lado do mar.Assim começou a “Revolta da Chibata”, extraordinário acontecimento político e social narrado neste livro. Um capítulo da História do Brasil que chega ao centenário, mas ainda quase desconhecido do povo brasileiro. Certamente porque o marinheiro João Cândido, seu líder inconteste, foi um homem que nasceu filho de escravos, em 1880, e morreu como pária, em 1969, no auge da repressão da ditadura militar. Por essa razão, o autor dedica esta obra a todos que ajudaram a tirar o Almirante Negro da sua última masmorra, o esquecimento. E a masmorra da Ilha das Cobras, onde João Cândido escapou da morte, é vizinha da outra de onde Tiradentes só saiu para ser enforcado. Alcy Cheuiche, no dizer de Armindo Trevisan, é um dos mais notáveis ficcionistas do Rio Grande do Sul, situado entre os mais identificados com sua gente, seus ideais de cara limpa, suas noites estreladas. Por isso, certamente, intercalada com a narrativa dos principais fatos ocorridos no Rio de Janeiro durante a “Revolta da Chibata”, o autor descreve imagens da vida de João Cândido a partir de sua infância em Encruzilhada do Sul, então um pequeno arraial pertencente ao município gaúcho de Rio Pardo. Libelo contra a escravatura, de ontem e de hoje, não é por acaso que o primeiro capítulo do livro situa-se em maio de 1888 e descreve O bambaquererê, a dança dos escravos fugidos comemorando a liberdade.Quando o Almirante Negro coloca ao pescoço um lenço vermelho, única diferença de seu uniforme para o dos demais camaradas, o leitor já sabe que esse lenço é o mesmo dos Lanceiros Negros da Revolução Farroupilha. E ao acompanhar João Cândido na Amazônia, durante a revolta de Plácido de Castro, ou na Inglaterra, ao escutar a saga do encouraçado Potemkin, entende porque aquele marinheiro humilde foi capaz de liderar uma revolta que sacudiu as bases da estrutura reacionária e ainda escravagista do Brasil.

João Cândido, o almirante negro
Alcy Cheuiche
L&PM Editores
Formato: 14 X 21 cm
176 páginas – R$ 32,00



Lançamento do livro João Cândido - O Almirante negro, de Alcy Cheuiche
Dia 30 de novembro (terça), às 19h
Instituto Simões Lopes Neto - Rua Dom Pedro II, nº 810 - Pelotas

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